São Paulo/ SP, Avaré/SP e Londrina/PR

O medo de cirurgia de coluna é comum, e o maior deles, o de ficar numa cadeira de rodas, é em grande parte um mito: a lesão grave da medula ou dos nervos é rara e as técnicas ficaram cada vez menos invasivas. Os riscos reais existem e precisam ser explicados antes da cirurgia, com números. Separar uma coisa da outra é o que permite decidir com calma.

As dúvidas que mais chegam pelo WhatsApp antes de uma cirurgia se repetem: “vou ficar sem andar?”, “a alta é no mesmo dia?”, “quantos dias fico afastado?”, “vou voltar a fazer o que eu gosto?”. Este texto responde a cada uma.

Posso ficar numa cadeira de rodas depois de uma cirurgia de coluna?

É muito improvável. O maior registro sobre o tema, da Scoliosis Research Society, analisou 108.419 cirurgias de coluna, incluindo as de escoliose e de deformidade, que são as mais complexas. Algum novo problema neurológico apareceu em cerca de 1% delas, na maioria das vezes em uma raiz de nervo. Lesão da medula ou da cauda equina, as mais graves, apareceu em cerca de 0,3% (Hamilton e colaboradores, revista Spine, 2011; resumo no PubMed).

Eu explico isso no consultório com a anatomia. Na coluna lombar há vários níveis (L1, L2, L3, L4, L5), e de cada nível sai um nervo. Para caminhar, usamos todos eles. Na maioria das cirurgias, o tratamento é bem específico: descomprimir um nervo, em um ponto só. Por isso, mesmo que haja uma lesão desse nervo, muitas vezes ela não impede o paciente de andar e de voltar à rotina.

Por que a cirurgia de coluna dá tanto medo?

Porque a coluna protege a medula e os nervos, e “mexer perto do nervo” assusta. Somam-se a isso histórias de cirurgias de décadas atrás, com cortes grandes, internação longa e recuperação lenta.

As técnicas evoluíram muito. Hoje, quando a cirurgia é necessária, na maioria das vezes é possível usar uma técnica minimamente invasiva, como a endoscopia da coluna ou a microcirurgia tubular, com corte pequeno e alta rápida.

Dr. Alexandre Jaccard, cirurgião de coluna, segura um modelo da coluna vertebral

O medo pode atrapalhar a recuperação?

Pode, e por isso vale tratar o medo antes da cirurgia. Um estudo publicado na revista PLoS ONE em 2018 mostrou que o chamado modelo de medo e evitação (medo de se mexer e pensamentos catastróficos sobre a dor) ajudou a prever mais dor e mais limitação nas semanas seguintes à cirurgia de hérnia de disco lombar (The Fear Avoidance Model predicts short-term pain and disability following lumbar disc surgery).

Por isso eu sempre converso com o paciente e com a família na véspera ou na semana da cirurgia e explico toda a jornada: o dia da internação, a anestesia, a alta, o curativo e a volta para casa. Entender o processo faz parte do tratamento.

Toda dor na coluna precisa de cirurgia?

Não. O meu conceito no dia a dia é aplicar o procedimento menos invasivo possível para resolver o problema de cada pessoa, e muitas vezes isso é feito sem cirurgia. Fisioterapia, exercício, medicação e procedimentos como a infiltração na coluna resolvem boa parte dos casos. A diretriz do NICE, o instituto de saúde do Reino Unido, para dor lombar e ciática também coloca o tratamento sem cirurgia como primeiro passo na maioria das situações: a cirurgia para ciática deve ser considerada quando o tratamento sem cirurgia não melhorou a dor ou a função (NICE NG59, recomendação 1.3.8).

A cirurgia entra quando esse tratamento não resolve, quando há perda de força ou em situações de urgência, como nos casos de hérnia de disco com perda de força progressiva.

Quais são os riscos reais da cirurgia de coluna?

Toda cirurgia tem riscos, e eles devem ser explicados antes, no termo de consentimento: infecção, sangramento, trombose, lesão de nervo e dor que persiste depois da cirurgia. O artigo sobre os riscos da cirurgia na coluna detalha cada um.

O tamanho de cada risco muda com o tipo de cirurgia, a doença e a saúde de cada pessoa. A pergunta certa não é “cirurgia de coluna é perigosa?”, e sim “qual é o risco na minha cirurgia, e qual é o risco de não operar?”.

Vou voltar à minha vida normal?

Esse é o objetivo. Independentemente do tratamento que escolhemos, o foco é qualidade de vida: voltar a fazer o que você gosta e o que precisa, inclusive correr ou praticar qualquer esporte, se essa for a sua vontade.

Nas cirurgias minimamente invasivas, a alta costuma ser no mesmo dia ou no dia seguinte. O afastamento do trabalho, de maneira geral, fica entre 10 e 15 dias, conforme o tipo de trabalho. O artigo sobre quanto tempo demora a recuperação de uma cirurgia de coluna mostra as fases.

Recentemente, uma paciente chegou com muito medo de operar. Com as explicações, ela entendeu o processo, pesou riscos e benefícios e participou da decisão. Ainda no hospital, depois da cirurgia, ela me disse: “Nossa, parece que eu nem tenho mais coluna.”

O que perguntar ao médico antes de decidir?

Levar as perguntas escritas ajuda a não esquecer nada:

  • Qual é a cirurgia, e por que ela é indicada no meu caso?
  • Existe um tratamento menor que eu ainda possa tentar?
  • Quais são os riscos na minha cirurgia, em números?
  • A técnica é minimamente invasiva? Quanto tempo de internação?
  • Quantos dias de afastamento do trabalho? Quando posso dirigir e viajar?
  • Quando poderei voltar ao meu esporte?

Quando procurar o médico?

Procure atendimento logo, sem esperar a consulta marcada, se tiver:

  • Perda de força numa perna ou num braço que está piorando
  • Dormência na região entre as pernas (a “área da sela”)
  • Perda de controle da urina ou das fezes
  • Dor nas costas com febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer
  • Dor muito forte depois de queda ou batida

Esses sinais podem indicar compressão grave de nervo, como na síndrome da cauda equina, e não devem esperar.

Fora disso, se a dor já dura semanas e o medo da cirurgia está fazendo você adiar a avaliação, uma consulta serve para entender o seu caso. Ela não obriga ninguém a operar.

Perguntas frequentes

A família pode participar da conversa antes da cirurgia?
Pode e deve. Eu converso com o paciente e com a família na véspera ou na semana da cirurgia, para explicar toda a jornada e responder às dúvidas de quem vai cuidar do paciente em casa.

A alta é no mesmo dia?
Nas cirurgias minimamente invasivas, como a endoscopia da coluna e a microcirurgia tubular, a alta costuma ser no mesmo dia ou no dia seguinte. Pacientes mais velhos às vezes ficam uma noite internados para a recuperação ser mais tranquila.

A cirurgia minimamente invasiva é tão eficaz quanto a aberta?
Para a hérnia de disco lombar, sim. Um estudo publicado no BMJ em 2022, com 613 pacientes, comparou a endoscopia da coluna com a microcirurgia aberta: a melhora da dor na perna em um ano foi pelo menos tão boa, com menos sangramento, internação mais curta e taxa parecida de nova cirurgia (5% e 6%) (Full endoscopic versus open discectomy for sciatica, BMJ). Ela não serve para todos os casos: a técnica depende da doença e da anatomia de cada pessoa.

Posso pedir uma segunda opinião?
Pode, é um direito seu. Leve os exames e os laudos. Ouvir dois médicos costuma deixar a decisão mais tranquila.

Converse antes de decidir

O medo diminui quando cada dúvida tem resposta. Se você recebeu indicação de cirurgia de coluna e quer entender as opções, posso avaliar seus exames e conversar com calma, com você e com a sua família, na Clínica Equiliv, em Avaré, em Londrina ou por consulta online. Agendamento pelo WhatsApp (14) 99790-1060.


Dr. Alexandre Jaccard, médico ortopedista, cirurgião de coluna · CRM 116.476/SP – 27.412/PR · RQE 111.183
Atendimento em Avaré (SP), Londrina (PR) e São Paulo (SP). Agendamento: (14) 99790-1060.
Publicado em 3 de novembro de 2026 · Revisado em 3 de novembro de 2026

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Texto produzido com apoio de ferramentas digitais e revisado pelo Dr. Alexandre Jaccard.

Artigos relacionados: