A dor persistente na coluna é uma realidade que afeta milhões de brasileiros. Quando os tratamentos conservadores (como fisioterapia, medicamentos e mudanças no estilo de vida) não oferecem alívio suficiente, a cirurgia pode surgir como uma alternativa viável. No entanto, antes de tomar essa decisão, é essencial compreender os riscos da cirurgia na coluna.
Afinal, embora seja um procedimento seguro quando realizado por especialistas, ele não está isento de complicações.
Entendendo o contexto da cirurgia na coluna
Inicialmente, é importante esclarecer que a cirurgia na coluna é indicada somente em casos específicos. O objetivo principal é aliviar a dor, restaurar a função e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Entre as condições que podem justificar a intervenção cirúrgica, estão:
- Hérnias de disco com compressão nervosa severa;
- Estenose espinhal;
- Espondilolistese;
- Fraturas vertebrais;
- Instabilidades.
Quais são os riscos da cirurgia na coluna?
Contudo, como qualquer procedimento invasivo, a cirurgia na coluna envolve riscos que precisam ser discutidos com clareza e responsabilidade. A seguir, abordaremos os principais deles.
Infecção
A infecção é uma das complicações mais temidas em procedimentos cirúrgicos. Na cirurgia da coluna, ela pode ocorrer superficialmente, na pele, ou atingir estruturas mais profundas, como os discos intervertebrais e as vértebras.
Fatores como diabetes, obesidade, tabagismo e uso prolongado de corticoides aumentam esse risco. Por isso, a avaliação pré-operatória é fundamental para identificar e controlar essas variáveis.
Medidas preventivas
O médico deve adotar uma série de medidas preventivas para reduzir o risco de infecção. Entre elas, destaca-se o uso de antibióticos profiláticos administrados antes e, em alguns casos, após a cirurgia.
A assepsia rigorosa do ambiente cirúrgico, o uso de materiais esterilizados e técnicas minimamente invasivas também contribuem para minimizar a exposição a agentes infecciosos.
Durante o pós-operatório, o acompanhamento cuidadoso da ferida e a orientação ao paciente sobre higiene e sinais de alerta são fundamentais para detectar precocemente qualquer complicação.
Sangramento e hematomas
Outro risco relevante é o sangramento intraoperatório. Embora as técnicas modernas tenham reduzido significativamente esse problema, ele ainda pode ocorrer, especialmente em cirurgias extensas ou em pacientes com distúrbios de coagulação.
Além disso, o acúmulo de sangue no local operado — conhecido como hematoma — pode comprimir estruturas nervosas e causar dor intensa ou déficits neurológicos. Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma nova cirurgia para drenagem.
Medidas preventivas
Para minimizar esse risco, o médico realiza uma avaliação pré-operatória detalhada, incluindo exames laboratoriais para identificar possíveis distúrbios de coagulação. Durante o procedimento, são utilizadas técnicas cirúrgicas precisas e instrumentos modernos que permitem melhor controle dos vasos sanguíneos.
O uso de hemostáticos locais, cauterização e monitoramento contínuo da pressão arterial também contribuem para reduzir o sangramento. No pós-operatório, o paciente é acompanhado de perto, e medidas como repouso adequado, compressão local e controle da pressão ajudam a prevenir a formação de hematomas.
Trombose venosa profunda e embolia pulmonar
A imobilização prolongada após a cirurgia pode favorecer a formação de coágulos nas veias das pernas, levando à trombose venosa profunda. Se esses coágulos se deslocarem para os pulmões, podem causar embolia pulmonar, uma condição grave e potencialmente fatal.
Medidas preventivas
Para prevenir esse tipo de complicação, o médico realiza uma avaliação individualizada do risco tromboembólico de cada paciente, considerando fatores como idade, histórico de trombose, obesidade, varizes, uso de anticoncepcionais e tempo estimado de imobilização.
Com base nessa análise, é possível definir a melhor estratégia preventiva, que pode incluir desde a prescrição de anticoagulantes profiláticos até a adoção de protocolos de reabilitação precoce.
A equipe cirúrgica também deve orientar o paciente sobre a importância de movimentar os membros inferiores ainda no leito, realizar exercícios respiratórios e manter uma boa hidratação.
Lesão nervosa
A coluna vertebral abriga a medula espinhal e raízes nervosas responsáveis por funções motoras e sensoriais. Durante a cirurgia, há o risco de lesão dessas estruturas, o que pode resultar em dor crônica, perda de força, formigamento ou até paralisia, dependendo da gravidade.
Medidas preventivas
Para reduzir esse risco, o médico pode utilizar recursos avançados de monitoramento neurológico intraoperatório, como a neuromonitorização eletrofisiológica, que permite acompanhar em tempo real a integridade das estruturas nervosas durante a cirurgia.
Além disso, o planejamento pré-operatório detalhado com exames de imagem de alta resolução (como ressonância magnética e tomografia computadorizada) ajuda a mapear com precisão a anatomia da coluna e identificar áreas de maior vulnerabilidade.
O uso de técnicas minimamente invasivas, guiadas por sistemas de navegação computadorizada, também contribui para uma abordagem mais segura e precisa.
Falha na fusão óssea (pseudoartrose)
Em cirurgias de fusão vertebral (como a artrodese) o objetivo é unir duas ou mais vértebras para estabilizar a coluna. No entanto, em alguns casos, essa fusão não ocorre adequadamente, levando à chamada pseudoartrose.
Essa falha pode causar dor persistente e instabilidade, exigindo uma nova intervenção cirúrgica. Fatores como tabagismo, osteoporose e movimentação precoce aumentam o risco de pseudoartrose, sendo imprescindível o acompanhamento rigoroso no pós-operatório.
Medidas preventivas
Para prevenir a pseudoartrose, o médico realiza uma avaliação criteriosa da densidade óssea do paciente, especialmente em casos de osteoporose ou idade avançada. Quando necessário, pode-se iniciar tratamento prévio com medicamentos que fortalecem os ossos, como os bifosfonatos ou a suplementação de cálcio e vitamina D.
Durante a cirurgia, podem ser utilizados enxertos ósseos autólogos ou sintéticos, além de implantes e instrumentações que favorecem a estabilidade da coluna e promovem a consolidação óssea.
O controle rigoroso de fatores que comprometem a cicatrização, como o tabagismo e o uso de anti-inflamatórios, também é essencial. No pós-operatório, o acompanhamento com exames de imagem e a adesão às orientações de repouso e reabilitação são fundamentais para garantir o sucesso da fusão.
Dor persistente após a cirurgia
Por fim, é importante destacar que nem toda cirurgia na coluna resulta em alívio completo da dor. Em alguns casos, o paciente pode continuar sentindo desconforto, seja por alterações anatômicas residuais, cicatrizes internas ou sensibilização do sistema nervoso.
Esse fenômeno é conhecido como síndrome pós-laminectomia ou síndrome da cirurgia falha da coluna. Embora raro, ele reforça a importância de uma avaliação criteriosa antes da indicação cirúrgica.
Medidas preventivas
Para minimizar o risco de dor persistente após a cirurgia, o médico realiza uma avaliação multidisciplinar antes do procedimento, envolvendo especialistas em dor, fisioterapeutas e psicólogos, quando necessário.
Essa abordagem permite identificar fatores que podem influenciar negativamente a recuperação, como sensibilização central, distúrbios emocionais ou padrões crônicos de dor. Durante a cirurgia, técnicas menos invasivas e o cuidado com a preservação das estruturas nervosas e musculares ajudam a reduzir o trauma tecidual.
No pós-operatório, o controle adequado da dor com medicamentos analgésicos, reabilitação personalizada e acompanhamento contínuo são fundamentais para evitar a cronificação do quadro.
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Em resumo, a cirurgia na coluna é uma ferramenta valiosa no tratamento de dores persistentes, mas deve ser indicada com cautela e responsabilidade. Os riscos existem e precisam ser compreendidos pelo paciente antes da decisão.
Portanto, se você sofre com dores crônicas na coluna e está considerando a cirurgia, converse com um especialista experiente, que possa avaliar seu caso com profundidade e orientar sobre os caminhos mais seguros.
Para entender melhor os riscos da cirurgia na coluna e receber uma avaliação personalizada, agende uma consulta com o Dr. Alexandre Jaccard — ortopedista de coluna em Avaré–SP.
Veja também: Artrodese da coluna com instrumentação por segmento



