Escoliose

Patologias

O que é?

De origem grega, a palavra significa “curvatura”. Na medicina ela é definida como curvatura lateral da coluna vertebral, maior ou igual a 10 graus. Valores menores podem ser fisiológicos ou posturais, por isso, não são considerados como escoliose.

Causa

Diferentes fatores podem causar uma escoliose, mas em cerca de 80% das vezes esta causa não é conhecida, sendo chamada de idiopática, que quer dizer “surgida espontaneamente ou de causa obscura, desconhecida”.

Como diagnosticar?

Tal curvatura pode ser vista e diagnosticada por meio de uma radiografia (Raio-X) de frente. Anatomicamente, é um desvio tridimensional da coluna vertebral, ou seja, além de ser observado de frente, como uma “curvatura lateral”, há alterações nas curvaturas consideradas normais quando vista de lado (cifose e lordose) e também uma rotação das vértebras.

Esta rotação das vértebras determina um dos principais sinais analisados em pacientes com escoliose, o qual é chamado de giba. Trata-se de uma proeminência nas costas que fica mais evidente quando a pessoa inclina o tronco para frente, num teste chamado de ‘Adams’. Isso ocorre porque quando as vértebras rodam, também fazem rodar as costelas na região torácica e ainda toda a musculatura ao lado da coluna, na região lombar.

Outros sinais que podem acompanhar a giba são:

  • diferença na altura dos ombros
  • assimetria da cintura (ela parece “empurrada” para um lado ou “afundada de um lado”)
  • descompensação do tronco (a cabeça não está centrada sobre a bacia)
  • assimetria na bacia e assimetria no tórax quando visto de frente (nas mulheres, um seio pode parecer maior que o outro)

Quando a giba é observada, associada ou não aos demais sinais citados, um médico ortopedista deve ser consultado.

Tratamento

O principal exame para a avaliação, acompanhamento e tratamento da escoliose é a radiografia simples de toda a coluna, com o paciente em pé. Ressonância Nuclear Magnética (RNM) e Tomografia Computadorizada (TC) não são exames de rotina, sendo solicitados para investigação de outras causas de escoliose ou em casos específicos.

O tratamento é individualizado, mas, geralmente, pode ser dividido em: observação, uso de colete e cirurgia.

  • A observação é realizada quando as curvaturas são menores que 25º e 30º em pacientes que estão em crescimento ou em pacientes com curvaturas menores que 45º, que já completaram seu crescimento.
  •  O uso de colete é indicado para pacientes em crescimento, com curvatura entre 25º e 40º. Existem vários tipos de coletes, mas todos têm a função de prevenir ou diminuir a progressão da escoliose. O colete deve ser usado de 20 a 22horas por dia, sendo retirado apenas para o banho e na prática de atividades físicas.
  • A cirurgia é recomendada quando a escoliose é maior que 45º na fase de crescimento do adolescente, ou quando é progressiva, após o término do crescimento.

Durante a observação ou o uso de colete, atividades físicas e terapias podem ser recomendadas, como fisioterapia, Reeducação Postural Global (RPG), quiropraxia, pilates, yoga, dentre outras.

Apesar de não haver evidência científica de que essas terapias possam prevenir ou diminuir a progressão da escoliose, elas são indicadas para proporcionar um bom condicionamento físico geral, contribuindo para manter a flexibilidade e o fortalecimento da coluna.

Cirurgia

Ela é recomendada quando o objetivo principal é parar a progressão da escoliose. A correção do desvio fica em segundo plano e pode ser obtido em diferentes graus, dependendo, principalmente, da rigidez da(s) curvatura(s).

Neste caso, é necessário o uso de implantes metálicos na coluna que vão permitir certo grau de correção e a fusão de determinadas vértebras. O número de vértebras a serem incluídas no processo cirúrgico dependerá das características de cada curvatura, em que o médico fará um planejamento pré-operatório.

A abordagem da coluna é feita pelas costas (via posterior) ou pelo tórax ou abdome (via anterior). Na maior parte das vezes, a via posterior é utilizada e a incisão na pele acompanha a linha da coluna.

O período médio de hospitalização é de 3 a 5 dias e não é necessário o uso de colete após a cirurgia. Em seguida, num período de 3 a 4 semanas, o paciente poderá retomar suas atividades, com algumas limitações. Geralmente, após 6 meses, é possível retomar todas as atividades, normalmente.

Escoliose congênita

Decorrente de um problema durante o desenvolvimento da coluna vertebral, no período embrionário ou fetal, a escoliose congênita apresenta um defeito na(s) vétebra(s) desde o nascimento, apesar de, muitas vezes, ser diagnosticada tardiamente.

Esse defeito pode ser no formato da vértebra, na conexão entre elas ou uma combinação desses fatores. O mais ‘clássico’ é denominado hemivértebra, no qual metade da vértebra não se formou e aparece na radiografia como um triângulo ao invés de um retângulo.

 A progressão da curva é muito dependente do tipo de defeito e da localização do mesmo. O tratamento inicial, na maioria das vezes, é a observação. O médico poderá definir as características da curva, bem como a evolução da mesma.

Nas curvas progressivas, o uso de coletes é pouco indicado, pois sua eficácia é limitada. Algumas vezes, a cirurgia é necessária. Há diferentes técnicas cirúrgicas para cada caso e o médico necessitará de uma tomografia computadorizada e uma ressonância magnética para o melhor planejamento cirúrgico e o tratamento adequado.

Escoliose neuromuscular

Qualquer problema neurológico, muscular ou neuromuscular que afete o equilíbrio da coluna vertebral e as forças geradas sobre a mesma, pode resultar em escoliose.

Cada doença e síndrome tem sua peculiaridade quanto à chance de surgimento e de progressão da escoliose.

De um modo geral, a avaliação dessa criança deve ser feita por um profissional da saúde de 6 em 6 meses ou de 1 em 1 ano, o qual observará as costas da criança sentada com ou sem apoio do familiar, também em pé, se possível.

No caso da escoliose neuromuscular (que decorre de problemas como fraqueza muscular ou do controle precário dos músculos, podendo ter como causa a paralisia cerebral, distrofia muscular, espinha bífida e pólipo), uma longa curva em C faz com que a criança tenha um tronco fraco, não sendo capaz de suportar o peso do próprio corpo.

Considerando a individualidade de cada caso, o ortopedista poderá optar por observação periódica, uso de colete (em raras indicações), uso de uma cadeira de rodas adaptada ou cirurgia.

Escoliose idiopática

É o tipo mais comum de escoliose. Existem várias teorias para a causa, mas, por definição, ela não é conhecida. A escoliose idiopática pode ocorrer em qualquer idade, sendo chamada de:

  • Escoliose Idiopática Infantil, do nascimento aos 3 anos de idade;
  • Escoliose Idiopática Juvenil, dos 4 aos 9 anos;
  • Escoliose Idiopática do Adolescente, dos 10 aos 17 anos;
  • Escoliose Idiopática do Adulto, quando surge dos 18 anos em diante.

É considerado um diagnóstico de exclusão, o que significa que o médico sempre pesquisará possíveis causas antes de concluí-lo. Apesar de não haver uma causa específica, existem vários critérios estabelecidos para identificar a chance de progressão e o melhor tratamento para cada caso.

Escoliose idiopática do adolescente

Ela corresponde de 80 a 85% dos casos de escoliose idiopática. Ocorre ou é agravada no período de estirão do crescimento. Os principais sinais são a diferença de altura dos ombros e/ou a giba.

Não há alterações neurológicas nesse tipo de escoliose, ou seja, o paciente não deve ter fraqueza ou alteração de sensibilidade nas pernas. A dor também não é um sintoma marcante. Não há alteração de outros sistemas do organismo e, portanto, independente do tratamento, o paciente leva uma vida normal.

Fonte: www.alexandrejaccard.com.br / Dr. Alexandre P. Boss Jaccard – CRM PR 27412 / CRM SP 116.476